Um guia para estratégias metacognitivas na sala de aula – Parte 3
ESTRATÉGIAS MOTIVACIONAIS
As estratégias motivacionais têm grande importância no envolvimento dos alunos em qualquer atividade cognitiva. Na aplicação de competências metacognitivas não é diferente. O professor deve considerar que a motivação é um componente-chave da autorregulação na educação e é ela que vai sustentar a perseverança dos alunos nas tarefas mais desafiadoras e na aplicação de novas estratégias que venham a facilitar a aprendizagem.

Neste contexto, ao desenvolver um trabalho com metacognição, você deve levar em conta determinadas estratégias que visam motivar os alunos:
- Definir um nível de exigência apropriado;
- Levar em conta os conhecimentos prévios;
- Promover hábitos de estudos positivos;
- Variar sistematicamente a abordagem e os recursos didáticos utilizados.
Vamos conhecer cada um deles.
1. DEFINIÇÃO DO NÍVEL DE EXIGÊNCIA APROPRIADO
Se você com frequência propõe aos alunos tarefas muito fáceis, pode ser que eles até pareçam felizes com isso, mas é bem provável que depois de um tempo se sintam entediados e desinteressados. Por outro lado, se as tarefas são muito difíceis, por não conseguirem realizá-las, os alunos tendem a ficar frustrados, muitas vezes desistindo de fazê-las. Por isso, definir o nível correto do desafio proposto em uma aula ou atividade requer de você conhecimento do conteúdo ensinado e sobre o quanto seus alunos sabem sobre este conteúdo.
Por isso, quando for elaborar atividades desafiadoras, ajude a motivar seus alunos com as seguintes ações:
- Evite a sobrecarga de informações;
- Divida tarefas em partes menores;
- Use “Andaimes”, ou seja, apoio variável na execução tarefas desafiadoras;
- Ensine novas habilidades pouco a pouco, de forma independente e nunca tudo ao mesmo tempo;
- Reserve tempo suficiente para as atividades;
- Dê feedback individual sobre o progresso alcançado;
- Evite fazer comparações entre alunos.
Estas ações ajudarão a prevenir a sobrecarga cognitiva e a promover a perseverança dos alunos enquanto enfrentam os desafios propostos e experimentam diferentes estratégias para superá-los.
2. VALORIZAÇÃO DOS CONHECIMENTOS PRÉVIOS AO CONTEÚDO ESTUDADO
O conhecimento prévio para a aprendizagem de conteúdo novo é fundamental. O aprendizado sem conhecimento prévio, que serve de âncora para que uma nova informação seja incorporada, faz com que ela possa até ser memorizada, sem, entretanto, tornar o conhecimento mais significativo. Por isso, você deve buscar de todas as formas, inclusive com a participação dos alunos, garantir que a cada novo conteúdo ensinado, o conhecimento anterior, mais básico, já tenha sido dominado por eles.
Abaixo listamos algumas sugestões de atividades recomendadas para ativar o conhecimento prévio além do nível superficial para várias disciplinas:
Mapas conceituais
São diagramas de significados, nos quais se veem relações significativas entre conceitos, utilizando figuras geométricas unidas por linhas. Quando dois conceitos são unidos por uma linha, significa que, no entendimento daquele que fez o mapa, há uma relação entre eles.
Os mapas conceituais permitem identificar os significados necessários para que ocorra a aprendizagem significativa do conteúdo e também os significados preexistentes na estrutura cognitiva do aluno. Além disso, organizam o conteúdo de forma sequencial e estabelecem relações entre as informações recebidas e o conhecimento já existente.
Tempestade cerebral
Peça para os alunos que em um curto espaço de tempo (2-5 minutos) anotem tudo o sabem sobre um determinado tema. Depois, agrupe as ideias no quadro e discuta com a turma o que foi apresentado.
Gráficos para pensar
Exiba para os alunos uma pintura de Picasso (ou outro autor) e peça a eles que digam “o que veem?”, “o que pensam?” e “o que se perguntam?” ao ver esta imagem. Crie um quadro com três colunas onde as respostas a cada uma das três perguntas serão anotadas. Peça que eles analisem as respostas dos colegas de turma e comparem com as próprias respostas.
Estas atividades tem como principal característica o fato de valorizarem a opinião e a experiência dos alunos. Permitem, ainda, uma reflexão mais profunda sobre o conteúdo estudado.

3. PROMOÇÃO DE BONS HÁBITOS DE ESTUDO
Normalmente, os alunos estão envolvidos em muitas atividades rotineiras, além da escola, como cursos de idiomas e outros temas, atividades sociais e esportivas, diversão (o que inclui as telas dos dispositivos eletrônicos conectados) e outras distrações, que competem com a agenda de estudos e dificultam a motivação ao estudo. Por isso, ensiná-los de forma explicita habilidades práticas de estudo pode ajudá-los a estudar mais e melhor quando estão fora da sala de aula, principalmente se o desenvolvimento destas habilidades vai determinar economia de tempo e maior aprendizagem.
É possível incentivar os alunos a estabelecerem metas acadêmicas e pessoais que são o ponto de partida para um maior comprometimento e, depois, tornam-se também elementos motivadores à medida em que os alunos alcançam suas metas quando trabalham com competência.
Os pesquisadores classificaram a eficácia de diferentes técnicas de estudo da seguinte forma:

É importante ter em conta que será você quem vai ensinar, modelar e fazer com que seus alunos pratiquem quaisquer novas técnicas de estudo, no contexto da metacognição. Você pode experimentar diferentes estratégias e técnicas em sala de aula. Para isso, divida a turma em pequenos grupos e passe para cada grupo uma técnica de estudo diferente para um mesmo conteúdo. Em seguida, promova um pequeno teste e verifique com os alunos quais métodos foram mais eficazes para o aprendizado.
4. UTILIZAÇÃO DE DIFERENTES ABORDAGENS E RECURSOS DIDÁTICOS
Planos de aulas diferenciados são, sem dúvida, uma das estratégias de ensino que mais motivam os alunos. Reduzir o uso da aula expositiva tradicional, utilizar diferentes recursos didáticos e promover o diálogo constante dos alunos com o conteúdo não é fácil, mas é o caminho para uma aprendizagem mais efetiva. Variar a abordagem, usar audiovisuais e material concreto e promover conversas ativas sobre o conteúdo permite que seus alunos possam se envolver mais, porque haverá uma aproximação com seu estilo de aprendizagem.
Para ilustrar, ao incorporar vídeos você aumenta tremendamente as possibilidades de escolha dos alunos, com oportunidades de aprendizagem mais flexíveis. Em literatura, por exemplo, ofereça aos alunos a tarefa de explorar os temas de uma determinada obra literária por meio de filmes de ficção, animações, documentários ou de programas de entrevistas com autores e críticos. Veja que estas opções abordam o mesmo conteúdo, mas em formatos diferentes.
Sempre que possível desafie seus alunos a filtrarem o conteúdo de documentários, programas jornalísticos, animações, paródias ou filmes de ficção, encontrando neles recursos que funcionem para eles mesmos como uma ferramenta de aprendizagem para que estudem e compreendam um determinado conteúdo de forma mais eficaz. Dar aos alunos esse tipo de controle em suas experiências de aprendizagem os faz pensar sobre como aprender melhor. Após a visualização dos vídeos, a investigação ativa, a resolução compartilhada de problemas e as atividades baseadas em discussão ajudarão a consolidar o conhecimento.
Finalmente, embora possa parecer muito, reserve um tempo para implementar novas estratégias e testar ideias. Esteja ciente de que a sobrecarga também vale para você. A pedagogia metacognitiva requer prática, mas você deve abordá-la com entusiasmo para ajudar seus alunos a se motivarem a pensar sobre como podem aprender de forma cada vez mais eficaz.
Este post foi inspirado no artigo “A guide to metacognitive strategies in the classroom”, publicado no site da ClickView, Austrália, de autoria de Chris Woods.
Se você quer ler ou reler os outros textos da série Um guia para estratégias metacognitivas na sala de aula, acesse aqui: “PARTE 1 – O que é metacognição e como ela influencia a aprendizagem” ou “PARTE 2 – Ensinando Estratégias Metacognitivas.”
O que você acha das estratégias motivacionais na educação? É viável ajudar seus alunos a aprenderem a capacidade de autorregulação? Deixe aqui sua opinião.
2 comentários sobre “COMO MOTIVAR OS ALUNOS A UTILIZAREM ESTRATÉGIAS METACOGNITIVAS”