A avaliação da OCDE é importante? Ou comparações com outros países devem ser deixadas de lado?
A sigla PISA, em Inglês, Programme for International Student Assessment’s, significa Programa Internacional de Avaliação de Alunos, um exame realizado a cada três anos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O Pisa testa conhecimentos de estudantes de 15 anos de idade, em matemática, leitura e ciências, em 81 países.
No ranking do Pisa 2022 o Brasil ficou em 60º lugar entre os 81 participantes. Este resultado foi um pouco melhor que em 2015, quando ficamos em 63º lugar, num ranking de 70 países, e também que em 2018, quando ficamos em 66º, entre 77 países.

Veja os resultados do Pisa 2022, com as pontuações de cada país, nas tabelas apresentadas ao final deste artigo, as quais foram obtidas diretamente no site da OCDE/Pisa.
QUEDA DE DESEMPENHO GENERALIZADA EM TODO O MUNDO
No Pisa 2022 observou-se uma queda de desempenho sem precedentes na história da avaliação. A pontuação mundial média em matemática caiu 15 pontos em relação a 2018, o que equivale a quase um ano de aprendizagem. Em leitura a pontuação também caiu, enquanto que em ciências a pontuação permaneceu a mesma, queda que ocorreu nos países latino americanos, mas foi ainda maior na América do Norte e na Europa.
A razão para resultados tão negativos nos países ricos pode ser atribuída a pandemia. Mas, gestores educacionais europeus, em entrevistas à mídia internacional, têm declarado que o problema se deve a redução do investimento em educação nas últimas décadas.
Os países asiáticos não tiveram perdas. Ao contrário, ganharam pontuação. Singapura alcançou 575 pontos em matemática, ou seja, quase 200 pontos a mais que o Brasil. Se 15 pontos correspondem a quase um ano de aprendizado, teríamos uns 13 anos menos que Singapura, um dado difícil de analisar, já que nossa educação básica dura 12 anos.
OS RESULTADOS DO BRASIL
Apesar de subir no ranking, o Brasil também teve redução na pontuação em relação a 2018. Em matemática, por exemplo, caiu de 384 pontos em 2018 para 379 em 2022, enquanto que em leitura os alunos brasileiros alcançaram 410 pontos (contra 413 em 2018) e em ciências, 403 pontos (contra 404 em 2018).
Os resultados apresentados são a média brasileira, que incluem escolas públicas e privadas. Os alunos das escolas particulares tiveram um desempenho significativamente melhor: em matemática, 456 pontos; em leitura, 500 pontos; e em ciências, 493 pontos.
Os resultados do Pisa 2022 indicam que ficamos praticamente estagnados nesta avaliação. Participando desde o ano 2000, sempre estivemos abaixo da pontuação média do Pisa (dos países da OCDE avaliados). Em 2022 o Brasil ficou pouco acima de países como Argentina, Panamá e Paraguai; um pouco abaixo da Colômbia, do Peru e do Uruguai; e muito abaixo do México e do Chile, que têm tido pontuação próxima à média dos resultados do Pisa (veja tabelas inseridas ao final do post).
DIFERENTES RESULTADOS, DIFERENTES CONDIÇÕES SÓCIO-ECONÔMICAS E CULTURAIS

Acima está um gráfico reproduzido do site FactsMaps, mostrando os resultados do Pisa 2022. Visite o site clicando aqui e veja também os resultados das avaliações anteriores.
Os rankings são pouco produtivos para a educação. Comparar desempenho de alunos, de escolas ou mesmo de países, ajuda pouco se não são levados em conta a realidade daqueles que têm pior desempenho, particularmente os contextos social, econômico e cultural. Entre alunos é ainda pior, pois boa parte dos que não estão entre os melhores tiveram baixo desempenho por problemas relacionados a seus estilos de aprendizagem, à baixa motivação, menor embasamento sobre os conteúdos, problemas estes, em grande parte, relacionados as deficiências da própria escola e/ou do ensino como um todo.
Nem por isso a prova Pisa deixa de ser uma referência para nós brasileiros. Com ela temos uma visão mais ampla sobre os resultados da educação brasileira e podemos analisar e conhecer melhor a experiência dos países mais bem colocados.
Analisando os dados da avaliação, verificamos que os alunos brasileiros estão atrasados quase dois anos de aprendizagem em relação aos do Chile, cuja pontuação foi: 412 em matemática, 444 em ciência e 448 em leitura. Neste país, 35,2 % das escolas são públicas, 54,4 % são particulares subvencionadas pelo estado e 9,1 % particulares pagas (dados de 2022), e, como no Brasil, há uma grande defasagem da escola pública em relação às privadas em termos de aprendizagem.
Em 2013, a Finlândia era um dos principais destaques do Pisa, tendo ficado entre os três primeiros do mundo em matemática, ciências e linguagem. Mudou desde então: em 2022 ficou em 13º lugar na média geral, a pior colocação em todas as avaliações, mas mesmo assim acima da maioria dos países europeus e dos Estados Unidos.
Os novos campeões do Pisa estão na Ásia, com destaque para Singapura, China e Coreia do Sul. Um pouco abaixo dos Asiáticos, mas acima de todos os europeus e dos Estados Unidos está o Canadá, 8º colocado em 2022, que, historicamente, tem estado entre os 10 primeiros desde o lançamento do Pisa.
No topo do ranking temos diferentes culturas e visões de mundo, da educação, e, principalmente, do próprio processo de aprendizagem. Existem caminhos diferentes para se atingir a excelência: além da qualidade do ensino que é comum nas nações ocidentais mais ricas, é preciso destacar que o voluntarismo e a dedicação extrema dos alunos orientais geram resultados positivos e ajudam a explicar os quase 30 pontos que a Coreia tem a frente do Canadá. Por isso mesmo, fica difícil importar soluções da China ou do Canadá. Por outro lado, existem boas experiências em nosso próprio país, que poderiam ser compreendidas e sistematizadas para implementação em outros locais.
AUDIOVISUAIS COMO RECURSO DIDÁTICO
Sair desta incômoda posição de estar sistematicamente entre os piores, com baixos níveis de aprendizagem, não é uma tarefa fácil para um país como o Brasil, onde deficiências estruturais prejudicam a educação básica.
A experiência de outros países nos mostra que a qualidade do ensino está diretamente relacionada à qualidade dos professores, o quanto eles são valorizados, quão boa é sua formação e que tipo de ferramentas dispõem para trabalhar.
Vários dos países que têm alcançado bons resultados no Pisa utilizam uma ferramenta de apoio ao trabalho dos professores que temos defendido aqui: vídeos online classificados pelo currículo, sejam eles documentários, vídeos educativos ou de jornalismos científico e cultural, entre outros.

… e a Brain Pop, plataforma de vídeos voltados a educação também encontrada na Espanha, México, Israel, Canadá e Estados Unidos.
Nos Estados Unidos está maior quantidade de plataformas, como a PBS Learning Media, Swank K12, Discovery Education, entre muitas outras.

No Brasil, criamos a PaideiaPlay, uma plataforma de curadoria de vídeos online pensada para a educação básica. Passamos dos 1500 vídeos selecionados e classificados pela BNCC, acessados por meio de uma ferramenta de fácil utilização, baixo custo e alto impacto positivo na aprendizagem.

Em poucos cliques, o professor acessa e exibe na sala de aula vídeos de qualidade, que apoiam sua abordagem sobre o conteúdo estudado. E pode também compartilhar estes vídeos com seus alunos para atividades extraclasse. Vídeos que entretêm enquanto entregam informação de valor, que provocam debates e ajudam a superar as diferenças de estilos de aprendizagem.
RESULTADOS DO PISA 2022 – TABELAS COM PONTUAÇÕES DE CADA PAÍS



Fonte: https://www.oecd.org/pisa/
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