Ensino remoto paideiaplay

COMO INSERIR VÍDEOS EDUCACIONAIS NO ENSINO REMOTO E PRESENCIAL E AUMENTAR A APRENDIZAGEM DOS SEUS ALUNOS

Quando comecei a produzir cursos em vídeo para formação continuada de professores, tive contato com diversos conceitos sobre aprendizagem que me marcaram muito. Um dos mais interessantes que conheci foi o modelo de mudança de status do conhecimento na estrutura cognitiva de uma pessoa, algo que imediatamente relacionei com o uso de audiovisuais na educação.

O MODELO DE MUDANÇA DE STATUS DO CONHECIMENTO

Conheci o modelo em um artigo do professor da Universidade Federal de Viçosa, Per Christian Braathnen, que é PhD em ensino de ciências, e me orientava em um projeto de curso. O artigo, denominado “O processo ensino aprendizagem em disciplinas básicas do terceiro grau”, apresentava o modelo desenvolvido por Peter W. Hewson (1982), ampliado e aplicado pelo professor Braathen em sua pesquisa de doutorado.

O professor Peter W. Hewson –University of Wisconsin–Madison – Department of Curriculum and Instruction, autor do Modelo de Status do Conhecimento.

Segundo o modelo proposto, o conhecimento de um dado tema ocorre em três níveis de “status”: inteligibilidade, plausibilidade e utilidade. O modelo também prevê a possibilidade de mudanças nível de status, devido a uma mudança qualitativa dos conhecimentos existentes:

  • No primeiro nível, da inteligibilidade: o aluno entende o que está sendo falado ou lido, literalmente, embora, por falta de conexão entre conceitos, possa não ter entendido de verdade.
  • No segundo nível, da plausibilidade, a informação passa a fazer sentido: o aluno não apenas percebe o enunciado dela como também entende o seu significado.
  • O status mais alto é o nível da utilidade: além de entender o significado, o aluno compreende também para que serve o que está aprendendo. O conhecimento é muito mais significativo.
Modelo de mudança qualitativa do conhecimento. Adaptado do artigo do professor Braathen.

OS AUDIOVISUAIS E A UTILIDADE DA INFORMAÇÃO

A melhor maneira de promover a mudança de status de uma informação, é elaborar uma abordagem utilizando situações reais ou, pelo menos, simulações de situações reais, de tal forma que o aluno perceba as aplicações que pode dar à informação que lhe é apresentada. A mudança qualitativa tenderá a ocorrer naturalmente: motivado pela percepção da utilidade daquele conhecimento, o próprio aluno ficará mais receptivo às informações. Isso vai ocorrer, inclusive pelo aumento da atenção às explicações apresentadas pelo professor.

Não tenho dúvidas de que mudança qualitativa do conhecimento pode ter como um de seus maiores aliados os vídeos educacionais de diferentes gêneros:

  • Os documentários, por mostrarem fenômenos naturais e experimentos científicos filmados em situações reais;
  • Os filmes de ficção, quando mostram simulações da realidade;
  • Os programas educativos, por desenvolverem conteúdos práticos de forma aprofundada.

Essa capacidade de informar da obra audiovisual fica patente quando buscamos na internet alguma informação em vídeo, seja para aprender a consertar o chuveiro que está dando choque ou para conhecer uma receita de pão. Quando compreendemos em um vídeo demonstrativo como conectar o fio terra do chuveiro para evitar choques e que ao fermentar a massa do pão mais de uma vez ele fica mais saboroso, dificilmente vamos esquecer, ou seja, aprendemos de verdade.   Na escola, entretanto, os vídeos nem sempre vão funcionar assim. Quem busca na internet um vídeo que ensina fazer pão ou mostre o conserto do chuveiro, tem um objetivo instrucional claro. Ou seja, o vídeo está contextualizado ao processo de aprendizagem que me propus. No ensino, na maior parte das vezes, não é o aluno quem escolhe o vídeo, conforme seus interesses pessoais.

COMO INSERIR UM VÍDEO NA ABORDAGEM DE UM CONTEÚDO VISANDO PROMOVER MUDANÇA DE STATUS DO CONHECIMENTO

A maioria das pessoas que conheço, quando é convidada a assistir um filme ganhador do Oscar, seguido de um debate com especialistas, logo pensa que vai ser uma chatice: alguns sabidões usando termos técnicos desconhecidos dos espectadores. A maioria dos que concordam em assistir o filme e o debate, muda de ideia depois, discorrendo longamente sobre o filme e elogiando a posição de um ou outro debatedor. No fundo, o efeito foi o mesmo do vídeo sobre como instalar o fio terra do chuveiro. A abordagem dos especialistas foi tão profunda, que o espectador entendeu novos conceitos, muitas vezes, sem nem perceber.

Para os alunos a situação é semelhante. Ao verem um vídeo sobre reações químicas, pode ser que se desinteressem rapidamente e deixem passar informações importantes que poderiam tornar seu conhecimento sobre o tema mais significativo. Um processo que se retroalimenta: quanto menos sabem, menos entendem e mais se dispersam. Por isso, para ajudar a aprender, os vídeos educacionais devem ser inseridos num contexto de abordagem, com intervenções do professor antes e depois de os alunos assistirem.

ANTES DE ASSISTIR – De acordo com a obra e o conteúdo estudado, o professor precisa decidir o momento adequado para que o vídeo seja assistido, além de definir os conceitos mais básicos que os alunos necessitam para um melhor aproveitamento e as leituras anteriores necessárias. O professor também deve discorrer sobre o filme previamente para a turma, comentar o conteúdo e a forma da narrativa, e motivar todos a assistirem. Os alunos precisam ter uma mínima ideia do conteúdo que vão encontrar e ter alguma expectativa positiva pelo vídeo. Isso é necessário para que eles tenham uma experiência semelhante à de quem assiste a um vídeo sobre como fazer pão: não conhece a técnica, mas busca uma informação que supõe estar nele e será útil.

DEPOIS DE ASSISTIR – Um segundo momento de grande importância ocorre depois que o vídeo foi assistido. É indispensável uma discussão sobre seu conteúdo e uma nova contextualização com o que está sendo estudado. Essa discussão vai funcionar como o debate com especialistas depois do filme ganhador do Oscar: muitos detalhes que tinham passado despercebidos, passam a ter um sentido que propiciam um novo entendimento, mais completo, sobre o tema. Neste momento, o conteúdo estudado deixa de ser apenas plausível e passa ser útil, tornando a aprendizagem mais significativa do que se a informação chegasse ao aluno apenas de forma verbal.


Se você quer saber mais sobre o uso de vídeos na Educação Básica, conheça “Vídeos Educativos Online na Rotina da Escola” um Guia para Diretores, Coordenadores Pedagógicos, Gestores e Educadores em geral, que você pode baixar aqui.

Veja como implementar o uso de documentários e vídeos de ficção, jornalismo e outros gêneros educativos online como recurso didático em sua Escola. Tecnologia educacional moderna, eficaz e de fácil utilização e muito usada nos EUA e Europa.

BAIXE GRÁTIS

Um eBook publicado pela PaideiaPlay. 46 páginas.


UM RECURSO INDISPENSÁVEL AO ENSINO REMOTO E PRESENCIAL

Cena do documentário “Como despoluir uma lagoa”: no processo de despoluição da Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte MG, conceitos de química estudados no Ensino Médio são colocados em prática.

Há alguns anos produzi um documentário sobre a despoluição da Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte MG. No vídeo, intitulado “Como despoluir uma lagoa”, não deixei de colocar as fórmulas das reações químicas que ocorriam na água poluída, no processo de despoluição. Porém, estas fórmulas foram colocadas como resultantes do estudo dos fenômenos químicos e de seus efeitos, buscando promover um processo indutivo de aprendizagem: primeiro observar e estudar o fenômeno e só depois sintetizá-lo numa fórmula (ou em um corolário ou uma regra).

O filme mostra o funcionamento de uma estação de tratamento de águas fluviais, cuja operação usa conceitos de filtração, decantação, floculação e flotação. E, também, como o excesso de fósforo presente na água poluída é retirado, tendo como base o conceito de ligações iônicas. Na elaboração do roteiro concluí que apresentar as fórmulas destas reações no início do filme poderia ser desmotivador. Só depois de conhecerem os fatores que determinaram a poluição da Lagoa, as características da água poluída, as análises feitas pelos técnicos, os reagentes e equipamentos utilizados e os resultados obtidos, é que os espectadores/alunos serão apresentados às fórmulas das duas reações químicas nas quais o processo de despoluição se baseava.

Nestes tempos de pandemia, por diversas vezes tenho imaginado que este e outros documentários que fiz podem ajudar a melhorar o desempenho do ensino remoto, em termos de aprendizagem dos alunos. Se um professor solicita que sua turma assista um documentário com uma abordagem semelhante a “Como despoluir uma lagoa” e depois, de forma remota ou presencial, retoma o estudo do tema, relembrando o que foi visto, terá resultados muito mais positivos ao explicar definições e fórmulas. Conceitos complexos deixam o universo do inteligível ou do plausível, para atingir o nível da utilidade. Exatamente como proposto por Peter Hewson e aplicado pelo professor Braathen.


Foi neste contexto de pandemia que criamos a PaideiaPlay, plataforma online de vídeos mapeados pela BNCC. Avaliamos milhares de documentários e vídeos educacionais da internet, selecionamos os melhores e, seguindo a BNCC, classificamos mais de 1400 deles por série, disciplina e conteúdo do Ensino Fundamental 2 e do Ensino Médio. O professor, com poucos cliques, seleciona o segmento, o ano, a Unidade Temática e a Habilidade, sendo gerada uma lista de vídeos que abordam ou se aproximam do conteúdo indicado. Selecionado um vídeo, o professor pode compartilhar com seus alunos ou assistir com a turma na escola. Trabalhamos para que o uso de vídeos educacionais online se transforme em rotina nas escolas brasileiras, ajudando seus alunos a aprenderem mais e melhor, em atividades remotas e presenciais. Clique aqui e conheça a PaideiaPlay.

Atualizado em 26 de julho de 2021.


REFERÊNCIAS:

BRAATHEN, P.C. O processo ensino aprendizagem em disciplinas básicas do terceiro grau. Educação e Tecnologia, v.8, n.1, 34-41, 2003. Disponível em: <https://periodicos.cefetmg.br/index.php/revista-et/article/view/53>. Acesso em: 13 fev. 2021.

FELDER, R.M & BRENT, R. Ensino efetivo, uma oficina. Tradução Per Christian Braathen, Viçosa 1999.

NOVAK,J.D. & GOWIN,D.B. Learning how to learn. Cambridge University Press, Cambridge, 2012.

Deixe um comentário